Por que o Buffalo Tom é tão pouco conhecido?




Por que o Buffalo Tom é tão pouco conhecido?









Em um mundo ideal, bastaria você compor as músicas mais cativantes, gravá-las em arranjos matadores e pronto: seu grupo seria o número 1 nos hit parades, ocupando o lugar de loiras neuróticas que gostam de sair sem calcinha ou bandas emo de letras pueris simplesmente incapazes de achar rimas mais mirabolantes do que “razões” com “emoções”. Lamentavelmente, este mundo está na versão beta, e as devidas correções e eliminações de bugs só surgirão depois do Armageddon, quando eu e 97,42% dos meus amigos estivermos servindo como recheio dos caldeirões borbulhantes de Louis Cypher lá nas profundezas dos nove círculos de Dante.

Uma coisa que jamais aceitarei é saber que uma banda como o Buffalo Tom, responsável por algumas das mais belas canções que um grupo de rock já gravou, nunca emplacou um Top 10 na Billboard, permanece desconhecida das grandes massas e é ignorada até pela crítica em geral. Ouço, com renovado prazer no repeat do meu Winamp, músicas como “Late at Night”, “Wiser”, “Summer” ou “Taillights Fade”, porque são canções que me fazem imergir em toda uma série de reminiscências e pensamentos ligados a caminhadas com brisa no rosto, sorrisos de mulher, a incidência de um raio de sol em determinado ângulo no meu quarto, lembranças da criança besta e feliz que fui, e toda uma série de imagens mentais e vagamente oníricas que só grandes obras (em estado sóbrio, ressalte-se) são capazes de inspirar dentro da gente.

Mas o caso é que tudo na vida é uma questão de timing. Tenho a impressão de que o Buffalo Tom, que em meados dos anos 90 tinha o respaldo da crítica, no auge do movimento de rock alternativo que tocava nas rádios universitárias americanas (e que por estas bandas teve como principal meio de divulgação o programa “Lado B” da MTV tupinambá) e que gerou outras grandes bandas como o também esquecido (e injustiçado) Hüsker Dü, acabou sendo eclipsado pela efervescência de um movimento que ofuscou todo o resto do indie rock produzido naqueles tempos: o rock oriundo de Seattle e arredores, popularmente conhecido como grunge.

Infelizes daqueles que deixaram de conhecer as harmonias mesmerizantes, os refrões catárticos e a beleza pungente das gravações do Buffalo Tom. Que, diga-se de passagem, voltou a gravar um álbum de inéditas, Three Easy Pieces, após um longo hiato de nove anos. Você provavelmente sequer ouviu falar nesse lançamento, porque quase ninguém, a não ser a escassa base de fãs fiéis da banda no Brasil, esteve atento ao novo álbum. Confira, pois, o vídeo do single mais recente do Buffalo Tom, You’ll Never Catch Him, uma bela prova de que Bill Janovitz, Chris Colburn e Tom Maginnis ainda são capazes de criar canções para aquecer almas.

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