
Com o talento de sempre, Luis Fernando Verissimo comentou em uma crônica o fato de que todos nós somos mortais e solitários diante da inimiga comum: a “Indesejada das gentes”, para citar a expressão cunhada por Manuel Bandeira. Mais adiante, Verissimo escreve: “Ninguém vive demais. Toda morte é prematura”. De fato. Mas urge dizer que há mortes que são mais prematuras do que outras, e creio que isso se aplica perfeitamente ao caso de Heath Ledger, cujo falecimento me deixou estarrecido no fim da noite de ontem.
Nascido Heathcliff Andrew Ledger no dia 4 de abril de 1979, na cidade australiana de Perth, Heath deixou este mundo em circunstâncias misteriosas e que certamente darão margens a fartas especulações sobre os motivos de sua morte. Mas deixemos os gossips de lado. Indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2005 por O Segredo de Brokeback Mountain, Ledger também teve atuações destacadas em filmes como Dez Coisas que Odeio em Você (1999, seu primeiro trabalho em Hollywood), A Última Ceia (2001) e Os Irmãos Grimm (2005). Recentemente, fez aquele que provavelmente será o maior sucesso de bilheteria de toda a sua carreira: Batman – O Cavaleiro das Trevas, no qual interpreta o vilão Coringa (o filme estreará nos EUA no dia 18 de julho). Em breve, Heath será visto nas telas dos cinemas brasileiros como um dos sete atores que interpretam Bob Dylan em I’m Not There, de Todd Haynes. Mas seu último trabalho foi The Imaginarium of Doctor Parnassus, próximo filme de Terry Gilliam, com estréia prevista para 2009.
Ver um ator talentoso, com uma carreira de muito futuro pela frente, morrer com apenas 28 anos de idade, e ainda deixando órfã Matilda, sua filha de 2 anos, é algo que lamento profundamente. Mas enfim, o fato é que a vida não possui rascunho. E agora, só nos resta recordar os seus trabalhos. Em homenagem a Heath Ledger, deixo dois vídeos de cenas marcantes de sua carreira aqui. O primeiro é uma cena na qual ele canta “Can’t Take My Eyes Off You”, sucesso de Frankie Valli, em 10 Coisas que Eu Odeio em Você.
Para encerrar este pequeno tributo, segue abaixo aquela que talvez seja a grande seqüência de toda a sua carreira: a cena final de O Segredo de Brokeback Mountain, um dos mais belos e tristes momentos do cinema contemporâneo, com “The Wings”, tema musical composto por Gustavo Santaolalla para o filme de Ang Lee, ao fundo. Descanse em paz, Heath.
P.S. 1: Em uma de suas últimas entrevistas, o repórter pergunta a Ledger o que mudou em sua vida após o nascimento de sua filha. Eis a sua resposta: “I feel good about dying now because I feel like I’m alive in her. But at the same time, you don’t want to die because you want to be around for the rest of her life”.
P.S. 2: Em um belo artigo escrito para o New York Times, o crítico A.O. Scott afirmou: “O trabalho de Ledger irá sobreviver à histeria. Mas era para ter sido mais. Ao invés de ser lembrado como uma jovem estrela que morreu em seu auge, ele deveria ter tido tempo de crescer seu potencial e se tornar o ator surpreendente, estranho e definidor de uma era que sempre teve o potencial de ser”.
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5 Comment
< ![CDATA[Você escolheu minhas duas cenas favoritas dele. Essas, mais a cena de duelo em Coração de Cavaleiro, mostram o talento dele. Brockeback Mountain, tristíssimo; 10 coisas..., palhaçada adolescente e em Knight´s Tale, comédia gostosinha...
Uma pena mesmo.]]>
< ![CDATA[Valeu o post, Inagaki! Mais um para a galeria dos atores mortos prematuramente: James Dean, River Phoenix. É, só nos resta recordar e lamentar o que poderia ter sido se não morresse jovem.
Só aqui soube que seu nome era Heathcliff, como o personagem de O morro dos ventos uivantes. Será que foi intenção dos pais fazer essa homenagem?]]>
< ![CDATA[Lendo há pouco a respeito do Heath Ledger no O Globo, soube que o Brad Renfro (de O cliente e Sleepers) morreu dia 15, aparentemente também de overdose, aos 25 anos. Que coisa...]]>
< ![CDATA[Incrível como a atuação dele ajudou o diretor a fazer o que queria (pelo menos eu acredito que ele queria isso): tirar o foco do público do preconceito e fazer todo mundo olhar para o que realmente importa nesta vida. No meio do filme, ou antes mesmo, eu já não percebia a questão do homosexualismo da mesma forma, mesmo ela sendo tão explícita. Quando me dei por conta, eu estava apenas vivendo o drama de um amor bonito, improvável e sofrido. E ponto. Ele foi fundamental para este efeito. PS.: Estou correndo atrás de trilhas do Gustavo Santaolalla.]]>
< ![CDATA[Linda matéria,bela homenagem a este ator fantástico.Adorei todos os filmes dele,desde 10 coisas que odeio em voce que é uma comédia romantica adolescente deliciosa até os dramas sérios como 'candy','ned kelly', 'brokeback muntaim' 'a última ceia' ,além de ''casanova'' onde Heath surpreende com sua veia comica.O Heath deixa uma lacuna que não será ocupada ,pelo menos não pelos atores jovens atuais de Hollywood que estão anos-luz atrás dele.O público amante do cinema estava cansado de atores''mauricinhos'', o Heath Ledger trouxe a rebeldia, a ousadia, a coragem de ousar e arriscar para Hollywood.Ele conseguia sair da mesmice,não repetia papeis.Era ator de fato, além de ser charmoso e sensual.]]>