A partir desta semana, passarei a desovar séries de informações inúteis que permanecem retidas na minha cabeça sabe-lá o porquê, e que eu preciso publicar em algum lugar pra ver se me livro delas. Memória é um lugar muito estranho.
1. No final dos anos 70, Silvio Santos intercalava os quadros de seu programa dominical com o programete A Semana do Presidente, dedicado a acompanhar as atividades de João Baptista Figueiredo entre o Palácio do Planalto e a Granja do Torto, onde morava. Recepção de embaixadores, excursões escolares e desfiles comemorativos da Semana da Pátria eram algumas de suas “atrações”, indefectivelmente narradas em “off” pelo Lombardi.
2. Um dos primeiros trabalhos de Antônio Augusto de Morais Liberato (jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero conhecido popularmente pela alcunha de Gugu) no SBT foram as reportagens da Semana do Presidente.
3. A partir dos anos 80, a Semana do Presidente (que então passou a veicular as estripolias de José Sarney) passou a ser precedida por uma vinheta que mostrava um homem personificando Jesus Cristo. Enquanto seu rosto era exibido sob uma discreta penumbra, uma voz narrava o seguinte texto:
“Paz, amor, fé, esperança, luz e união não são apenas palavras. Você tem certeza de que já fez tudo que podia pelo seu semelhante? Pense bem, pois um dia vamos nos encontrar. E eu gostaria muito de chamá-lo de meu filho“.
Muitas crianças dessa época têm pesadelos até hoje com essa vinheta (há uma comunidade no Orkut com o singelo nome de “Cagava de Medo do Jesus do SBT“), inclusive porque o ator que interpretava Jesus piscava no meio do vídeo. Confiram com seus próprios olhos.
4. Após fazer a Semana do Presidente e a Sessão Premiada (espaço que o SBT reservava à exibição de filmes como “A Gang dos Dobermans” e “Homem-Cobra”, e na qual Gugu atendia a alguns telefonemas de telespectadores durante os intervalos, concorrendo a prêmios como TVs a cores), sua grande chance veio enfim em 1982: o programa Viva a Noite.
5. “O Homem-Cobra”, produção de 1973, narra a história de um cientista que desenvolve um soro capaz de transformar seres humanos em… bem, você sabe. Sua justificativa demente: com o planeta cada vez mais poluído e superpovoado, a tendência é da raça humana ser levada à extinção. Porém, se todos nós nos transformássemos em ofídios, teríamos melhores chances de sobrevivência. Na falta de voluntários que topassem experimentar o tal soro, o cientista maluco resolve usar o namorado da própria filha para fazer suas experiências (sem que ele saiba o que está tomando, é bóbvio). Esse incauto é interpretado por Dirk Benedict, o “Cara-de-Pau” do seriado Esquadrão Classe A, que ao decorrer do filme vai paulatinamente se transformando em cobra (só assistindo ao filme para crer nessa premissa). Apesar do argumento esdrúxulo, esta ficção científica não é das piores. A propósito: o título original do filme é “Sssssss”.
6. Viva a Noite não demoraria a fazer sucesso, impulsionado por gincanas entre homens e mulheres (nos mesmos moldes do atual Domingo Legal), quadros como o concurso do Rambo Brasileiro (fisiculturistas e afins iam ao palco fazer performances fantasiados como o personagem de Sylvester Stallone) e o “Sonho Maluco” (telespectadores enviavam cartas à produção contando sonhos que gostariam de protagonizar no programa com algum artistas). Gugu era coadjuvado por personagens como Nhá Barbina e Bugaloo.
7. Um dos Sonhos Malucos mais antológicos de todos os tempos foi protagonizado pelo grupo Titãs, convencido pela produção do Viva a Noite a “salvar” uma fã presa numa teia de aranha (?) improvisada em um viaduto na Santa Efigência, bairro de São Paulo. Outros Sonhos Malucos incluem o pedido de um engraxate para lustrar a cabeça da cantora Maria Alcina (que na época adotara um look careca) e outra que pediu para deitar-se com o Zé do Caixão dentro de um… caixão.
8. Enquanto isso, a final do concurso de Rambo Brasileiro teve direito a um programa especial. Em meio às performances dos concorrentes (gravadas no Playcenter), grupos musicais se apresentavam fazendo playbacks, com direito até a atração internacional: os roqueiros da banda Gene Loves Jezebel.
9. Todo programa Viva a Noite era finalizado por uma apresentação musical interpretada pelo próprio Gugu, com direito a coreografias das assistentes de palco (sendo que a mais conhecida delas era Mariette, que estrelaria depois uma capa da revista Playboy). Algumas das trilhas sonoras de encerramento: “Meu Pintinho Amarelinho”, “Baile dos Passarinhos” e “Dança da Galinha Azul” (na verdade um jingle dos temperos Maggi).
10. Viva a Noite saiu do ar em 1992. Gugu Liberato, apesar de ter ganho um espaço dentro do programa Silvio Santos aos domingos, relutou em deixar o horário que o consagrou na TV, os sábados à noite. Por algum tempo passou a apresentar então o Sabadão Sertanejo, programa dedicado aos então ascendentes “astros” da música caipira. Entre um e outro playback, o grande destaque do programa era o singelo quadro Concurso da Camiseta Molhada, cujo nome dispensa maiores explicações sobre seu conteúdo.







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< ![CDATA[Cara... lendo este post toda a minha infância me veio à cabeça... Bons tempos...]]>