Juntando mesas em um bar de esquina

Alguns dos melhores momentos da vida acontecem quando estamos em uma roda de amigos, em conversas que fluem animadamente por horas e horas. Se estivermos em uma mesa de bar, melhor ainda. Embora precise fazer a ressalva de que os bate-papos mais “aproveitáveis” só rolarão enquanto a quantidade de álcool ingerida possibilitar um nível de consciência suficiente para que ainda consigamos acertar a chave a fechadura no retorno para casa.

Mas sobre o que conversamos com nossos camaradas quando não discorremos sobre nossas desventuras profissionais e desencontros amorosos? Cultura pop, é bóbvio! É fato: nesta era da informação, muitos dos elos em comum que temos com nossos amigos provém das bancas de jornais, das telas de cinema, dos fones de ouvido, dos programas de TV, dos blogs e sites que visitamos.

Quantos de nós não fizeram amizades baseados nos gostos musicais, cinematográficos ou literários de alguém? Neste mundo maluco em que pessoas caminham apressadamente a esmo, encontram-se e desencontram-se pelos labirintos do dia-a-dia, tornam-se famosas por quinze minutos e depois são relegadas ao anonimato, o universo pop é uma espécie de eixo que auxilia extraviados a encontrarem seus pares. Eu, por exemplo, posso falar dos amigos que fiz a partir de gostos em comum, como acompanhar religiosamente os episódios de “Arquivo X” ou ir a shows dos Paralamas, assim como do dia em que meus olhos brilharam quando descobri que “aquela” menina também gostava de Hitchcock e Neil Gaiman. E, oras, quem nunca gravou um CD ou, no meu caso de balzaquiano, uma fita-cassete com suas músicas prediletas, torcendo para que aquela paquera gostasse das canções que fazem parte da trilha sonora de sua vida tanto quanto você?

Sim, um dia eu fui desses caras que, feito Charlie Brown, suspiraram pela garotinha ruiva que jamais soube que eu existia. Depois, nutri tórridas paixões platônicas pela Magri da Turma dos Karas, a Virginie do grupo Metrô, Molly Ringwald e, claro, a Luciana Vendramini. Também já saí do cinema sonhando em pegar uma carona no DeLorean do Marty McFly pra consertar algumas burradas que fiz, ou cantar “Twist and Shout” no meio da rua feito o Ferris Bueller. Ouvi Maria Bethânia pela primeira vez graças ao quadro antológico em que Didi Mocó interpretava a Terezinha da canção, e ainda guardo no bojo da memória diversos nomes de bandas de rock nacionais, como Omar e os Cianos, Detrito Federal, Vzyadoq Moe, Os Eletrodomésticos e O Espírito da Coisa.

Mas enfim, tergiverso, tergiverso. Cá estou só para dizer duas coisas: que eu vislumbro o Blogamos como uma grande roda de camaradas que resolveram juntar mesas em um boteco de esquina pra poderem trocar idéias de modo geral sobre a vida, o universo e tudo mais. E também pra dizer que o Pop Cabeça, meu espaço por aqui, será dedicado a tudo que se referir à cultura pop: cinema, música, quadrinhos e toda a memorabilia inútil que meus neurônios conseguiram reter anos a fio.

Como diria aquele nerd de orelhas pontudas, vida longa e próspera a mais esta nova empreitada da blogosfera tupinambá!

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